Com a classificação de Prakash Amritraj para a final do ATP de Newport, é interessante retornar alguns anos na história e evidenciar outros indianos que obtiveram sucesso nas quadras de tênis.
O primeiro grande nome de destaque do país veio na década de 60. Ramanathan Krishnan foi o precursor das grandes campanhas de tenistas indianos em quadras de grama. Primeiro asiático a vencer o torneio de juvenis em Wimbledon, em 1954, o tenista alcançou a semi-final do torneio profissional em 1960 e 1961. Nas duas ocasiões, perdeu para o futuro campeão (Neale Fraser e Rod Laver, respectivamente).

Ramanathan Krishnan: o pioneiro
Cerca de uma década mais tarde, a ascensão de Vijay Amritraj deu vida nova ao tênis na Índia. O tenista alcançou as quartas-de-final de Wimbledon e do US Open em 1973. No ano seguinte, repetiu o feito em New York. Ainda em 1974, Amritraj comandou a equipe indiana da Copa Davis até a segunda classificação na história da Índia para a grande final. A equipe, no entanto, não teve a oportunidade de jogar por um título inédito, já que desistiu da disputa contra a África do Sul em protesto ao regime de apartheid em vigência no país adversário, que pregava a segregação racial entre negros e brancos. Já com 28 anos, Vijay conseguiu uma última grande campanha em Wimbledon, repetindo as quartas-de-final de oito anos antes.

Vijay Amritraj: grandes campanhas em Londres
Em 1979, a história do tênis indiano ganhou ramificações familiares. Filho de Ramanathan Krishnan, Ramesh Krishnan repetiu o feito do pai ao conquistar o torneio juvenil de Wimbledon. Chegou às quartas-de-final em Londres em 1986, e no US Open alcançou a mesma fase em 1981 e 1987. Conduziu a Índia rumo a sua terceira final na história da Copa Davis, perdendo a decisão para a Suécia.

Ramesh Krishnan, repetindo os feitos do pai
O ano de 1990 foi protagonizado por Leander Paes, que surgiu como um juvenil muito promissor, ao alcançar a liderança desse ranking e conquistar mais um título de Wimbledon juvenil. Em simples, Paes obteve sua maior conquista nas Olimpíadas de Atlanta, em 1996, quando derrotou Fernando Meligeni em uma surpreendente disputa da medalha de bronze e conquistou uma medalha para a Índia.
Na mesma época do surgimento de Leander Paes, outro indiano aparecia nos principais torneios, sem o mesmo destaque. Mahesh Bhupathi não teve o mesmo impacto que o compatriota em simples, mas suas carreiras iriam se cruzar dentro de poucos anos para a formação de uma das duplas de maior sucesso da história do tênis mundial. Bhupathi, no entanto, possui o feito de ter sido o primeiro campeão de Grand Slam da Índia, após vencer as duplas mistas em Roland Garros, em 1997.
Juntos, Paes e Bhupathi conquistaram 23 títulos de torneios da ATP. Entre essas conquistas, três Grand Slams: Roland Garros em 1999 e 2001, e Wimbledon em 1999. Na temporada de 1999, por sinal, a parceria marcou história ao ser a primeira a chegar à decisão dos quatro Grand Slams. Com a relação já desgastada, os compatriotas romeperam a dupla e passaram a jogar com parceiros diferentes. Bhupathi conqusitou o US Open de 2002 com Max Mirnyi, além de seis troféus em duplas mistas, totalizando dez títulos de Grand Slam. Paes também faturou o US Open com outro parceiro, em 2006, ao lado de Martin Damm. Três títulos de duplas mistas e a conquista no juvenil completam os oito triunfos de Paes nos Grand Slams. Com uma relação conturbada, cheia de declarações nada agradáveis de ambos os lados (especialmente Paes, que diz ser o melhor jogador da dupla e lamenta ter abandonado as simples para ajudar Bhupathi), a dupla indiana vai se unir para tentar uma medalha olímpica em Pequim, no mês que vem.

Paes e Bhupathi na conquista de Wimbledon, em 1999
Após um longo período de seca em simples, a Índia volta a colocar um tenista na decisão de um torneio da ATP após uma lacuna de dez anos. Prakash Amritraj, filho do outrora ícone do tênis no país, Vijay Amritraj, tem a oportunidade de repetir o feito do pai em Newport, campeão do torneio em três oportunidades. A família Amritraj ainda conta com outro representante no ranking da ATP, Stephen Amritraj. A árvore genealógica da família pode ser resumida em:

Vijay e Anand são irmãos (jogaram duplas na Copda Davis). Prakash e Stephen são seus filhos, nessa ordem, e, portanto, primos.
A grande promessa indiana para os próximos anos é Somdev Dev Varman. Com 23 anos, o tenista ainda não teve um grande impacto no circuito da ATP. Nem poderia, já que está prestes a obter seu diploma de faculdade nos Estados Unidos. Dev Varman foi campeão do NCAA, o campeonato universitário americano, no ano passado, derrotando na final o gigante John Isner. Com dois jogos de ATP no currículo, o indiano deu mostras de seu potencial no mês passado, ao vencer dois futures consecutivos nos Estados Unidos, sem perder um set sequer. Em janeiro, conquistou seu primeiro future, batendo Dusan Vemic na decisão.

Somdev Dev Varman: o futuro do tênis indiano
Essa é a trajetória da Índia ao longo da história no tênis masculino. Se vai conseguiur sucessos semelhantes aos dos Krishnan, de Vijay Amritraj ou da dupla Paes/Bhupathi, é impossível saber. É bom, no entanto, não duvidar de duas coisas: de uma boa campanha de um indiano na grama, e muito menos de um novo membro da família Amritraj no circuito.

Prakash Amritrak, que tenta hoje o título em Newport